+ Sobre outros orixás
++ Saber o seu orixá de proteção
Oxum é muito bonita,
dengosa e vaidosa, como são geralmente as belas mulheres. Ela gosta de
panos vistosos, marrafas de tartaruga e tem, sobretudo, uma grande paixão
por jóias. Só uma mulher elegante como Oxum, pode possuir grandes e pesadas
jóias.
Oxum tem o humor caprichoso e mutável. Alguns dias, suas águas correm aprazíveis e calmas, deslizando com graça, frescas e límpidas por entre margens cobertas de brilhante vegetação. Numerosos vãos permitem atravessar de um lado para outro. Outras vezes, suas águas tumultuadas passam estrondando, cheias de correnteza e torvelinhos, transbordando e inundando campos e florestas. Ninguém poderia atravessar de uma margem à outra, pois Oxum não toleraria tamanha ousadia!
Olowu, rei de OWU, seguido de seu exército ia para guerra. Por infelicidade tinha que atravessar o rio, num dia que este estava encolerizado. Olowu fez a Oxum uma promessa solene, entretanto mal formulada. Ele declarou que se ela baixasse o nível da águas para que ele e seu exército atravessassem, e os protegesse na guerra fazendo-o vencedor, ao voltar ele lhe entregaria "nkan rere", isto é, "boas coisas". Oxum compreeendeu que ele falava de sua mulher, Nkan, filha do rei de Ibadan. Ela baixou as águas e Olowu continuou sua expedição.
Quando ele voltou, algum tempo depois, vitorioso e com um espólio considerável, novamente encontrou Oxum com o humor perturbado. O rio estava turbulento e com suas águas agitadas. Olowu mandou jogar sobre suas vagas toda a sorte de boas coisas, as nkan rere prometidas. mas Oxum devolveu todas sobre a margem. Era Nkan, a mulher de Olowu que Oxum exigia. Olowu foi obrigado a submeter-se e jogou para as águas Nkan, que estava grávida. A criança nasceu no fundo do rio e Oxum o devolveu para Olowu dizendo: "É Nkan que me foi prometida, não a criança. Tome-a!". As águas baixaram e Olowu voltou tristemente para suas terras.
O rei de Ibadan ao saber do fim trágico de sua filha, indignado declarou : "Não foi para que ela servisse de oferenda que eu a dei em casamento para Olowu!". Ele guerreou com o genro e o expulsou do país.
CONHECENDO MAIS SOBRE OXUM
Oxun é a divindade do rio do mesmo
nome que corre na Nigéria, nas regiões Ijexá e Ijebú.
Era, segundo dizem, a segunda mulher de Xangô, tendo vivido antes com Ogun, Orunmila, e Oxossi, seu pai teria sido Oxalá. As mulheres
que desejam ter filhos dirigem-se a Ogun pois ela, com efeito controla a fecundidade, graças
aos laços mantidos com Iyami-Ajé, "Minha Mãe
Feiticeira". Sobre esse assunto, uma lenda conta que "quando todos os Orixás
chegaram à terra organizaram reuniões onde as
mulheres não eram admitidas. Oxun ficou aborrecida
por ser posta de lado e não poder participar de todas as deliberações.
Para vingar-se, tornou as mulheres estéreis e impediu que as atividades
desenvolvidas pelos deuses chegassem a resultados favoráveis. Desesperados,
os Orixás voltaram a Olodumaré e explicaram-lhe
as coisas iam mal sobre a terra. Olodumaré perguntou se Oxum participava das reuniões
e os Orixás responderam que não. Olodumaré explicou-lhes
então que que, sem a presença de Oxun e
do seu poder sobre a fecundidade, nenhum de seus empreendimentos poderiam
dar certo. De volta à terra, os Orixás convidaram Oxun para
participar de seus trabalhos o que ela acabou por aceitar, depois de muito
lhe rogarem . Logo em seguida, as mulheres tornaram-se fecundas e todos
os projetos obtiveram felizes resultados".
Oxun é chamada de Iyalodê,
título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre todas
as mulheres da cidade. Os Axés de Oxun constituem-se de pedras do fundo do rio do mesmo
nome, de jóias de cobre e de um pente de tartaruga.
O amor de Oxun pelo cobre - metal mais precioso
do país Yorubá nos tampos antigos - é mencionado
nas saudações que lhe são dirigidas:
"Mulher elegante que tem jóias de cobre maciço.
É uma cliente dos mercadores de cobre.
Oxun limpa suas jóias de cobre antes de limpar
seus filhos".
Numerosos lugares profundos, Ibus, entre Igedê, onde nasce
o rio, e leké, onde eles
deságua na lagoa, são os locais de residência de Oxun.
Aí, ela é adorada sob nomes diferentes e suas características são distintas
umas das outras. Encontramos:
"Oxun Ijumú, rainha de todas as Oxuns e que, como a que vem
a seguir, está em estreita ligação com as bruxas, Ajés;
Oxun Ayalá ou Oxun Aynlá, a Grande Mãe (a Avó) que foi a mulher de Ogun;
Oxun Oxogbô, cuja fama é grande por ajudar as mulheres a
ter crianças;
Oxun Apará, a mais jovem de todas, de gênio belicoso;
Oxun Abotô, muito feminina e elegante;
Oxun Abalú, a mais velha
de todas;
Yeyê Ipetú;
Yeyê Ipondá, guerreira;
Yeyê Karé, muito
guerreira;
Oxun Popolocum, cujo culto é realizado
próximo à lagoa e que, diz-se no Brasil, não sobe à cabeça das pessoas".
Apesar de todos esses nomes e características diversas é sempre
a única e mesma Oxun.
Sobre Oxun Ayalá, também chamada
de Oxun Ayanlá, a Avó,
diz-se que era uma mulher poderosa e guerreira que ajudava Odun Alagbedé, seu espojo,
na forja, na mesma maneira que Oyá, como vimos no
capítulo precedente. Ogun forjava e, quando o ferro
começava a esfriar, ele o colocava no fogo, atiçado por Oxun que fazia funcionar os foles em cadência. O barulho
que eles faziam "kutu, kutu, kutu", era tão ritmado
que parecia qu oxu tocava
um instrumento de música. Um Egungun que passava
pela rua se pôs a dançar, inspirado pelos sons que provinham dos foles. Os
passantes maravilhados testemunharam seu contentamento oferecendo dinheiro
a Egungun. Este, muito honestamente, ofereceu metade
da soma recolhida a Oxun, a Avó, o que lhe valeu ser denominada de:
"Tocadora de música num fole para fazer dançar Egungun.
Proprietária de um fole que sussurra como a chuva, e cuja tosse ressoa
como explode o cobre e como urra o elefante".
Laços muito estreitos existem entre Oxun e os reis de Oxogbô.
Neste lugar, a festa anual das oferendas a Oxun é uma
comemoração pela chegada de Larô, fundador
da dinastia, às margens deste rio cujas águas correm permanentemente. Larô,
depois de muitas atribulações, achando o lugar favorável ao estabelecimento
de uma cidade, aí se fixou com sua gente. Alguns dias depois de sua chegada,
uma de suas filhas foi se banhar num rio e se perdeu sob as águas. reapareceu
no dia seguinte, soberbamente vestida, declarando ter sido muito bem
acolhida pela divindade do rio. Larô,
para demonstrar sua gratidão, dedicou-lhe oferendas. Numerosos peixes,
mensageiros da divindade, vieram comer em sinal de aceitação, as comidas
que Larô havia jogado nas águas. Um grande
peixe que nadava próximo ao local onde este se encontrava cuspiu-lhe água. Larô recolheu esta água numa cabaça e bebeu, fazendo
assim um pacto de aliança como rio. Estendeu, depois, as duas mãos para
frente e o grande peixe saltou sobre elas. Larô recebeu
o título de Ataojá - contração da frase Yorubá A tewo gba ejá, "Ele estende as
mãos e recebe o peixe" - e declarou: Oxun gbô, "Oxun está em estado
de maturidade", suas águas serão sempre abundantes, esta foi a origem do nome do cidad de Oxogbô.
No dia da festa anual, Ataojá vai solenemente até as margens do rio. Sua cabeça é coberta
por uma coroa monumental feita com pequenas missangas reunidas e é vestido com pesada roupa de
veludo. Anda com calma e gravidade, rodeado por suas mulheres e seus dignatários. Uma de sua s filhas leva,
nesta procissão anual, a cabaça contendo os objetos sagrados de Oxun. É a Arugbá Oxun, "aquela que
leva a cabaça de Oxun". Ela representa a moça
que outrora desaparecera no rio. Sua pessoa é sagrada, e o próprio rei
inclina-se à sua frente. Depois que atinge a idade da puberdade ela nào pode mais preencher essa função. Mas, pela graça
de Oxun, a descendência de Ataojá é sempre numerosa, não faltando, pois, a possibilidade
de se encontrar uma Arugbá Oxun disponível.
Ataojá senta-se numa clareira e acolhe as pessoas
que vem assistir a cerimônia. Os reis e os chefes das cidades vizinhas
estão todos presentes ou enviaram representantes. as delegações chegam,
uma após a outra, acompanhadas por tocadores de tambores.
Trocas de saudações, prosternações e danças sucedem-se como formas de
cortesia recíproca, com animação crescente.
Ao final da manhã, Ataojá, acompanhado
pelo seu povo e pelos seus hóspedes, aproxima-se do rio e aí manda lançar
oferendas e comidas, no mesmo lugar onde Larô o
fizera outrora. Os peixes as disputam sob o olhar atento das sacerdotisas
de Oxun.
Ataojá dirige-se, a seguir, até as proximidades
de um pequeno templo vizinho e senta-se sobre a pedra onde seu ancestral Larô havia
repousado em outros tempos. A adivinhação é feita para saber se Oxun está satisfeita
e s ela tem alguma vontade de exprimir. Ataojá volta
em seguida para a clareira, onde recebe e trata seus convidados com uma
generosidade digna da reputação de Oxun, a
rainha de todos os rios.
No Brasil, os adeptos de Oxun usam colares
de contas de vidro de cor amarelo-ouro e numerosos braceletes de latão.
o dia da semana que lhe é consagrado é o sábado e ela é saudada, como
na África, pela expressão Oré Yeyé o!!!. "Chamemos a benevolência da Mãe !!!".
É
recomendável fazer sacrifícios de cabra a Oxun e ofercer-lhe patos
de Molokun (mistura de cebolas, feijão de espécie fradinho,
sal e camarões), de Adúm (farinha de milho
misturada com mel de abelha e azeite doce). A sua dança lembra o comportamento
de uma mulher vaidosa e sedutora que vai ao rio para se banhar, enfeita-se
com colares, agita os braços para fazer tilintar os seus braceletes,
abana-se graciosamente e contempla-se com satisfação num espelho. O ritmo
que acompanha as suas danças denomina-se Igexá,
nome de uma região da África, por onde corre o rio Oxun.
Ela é sincretizada, no Brasil, com Nossa Senhora das Candeias
(na Bahia) e nossa Senhora dos Prazeres (em Recife), enquanto que em
cuba é assimilada a Nossa Senhora da Caridade, cuja igreja encontra-se
em El Cobre.
O arquétipo de Oxun é o das mulheres graciosas e elegantes, com paixão
pelas jóias, perfumes, vestimentas caras. Das mulheres que são símbolo
do charme e da beleza. Voluptuosas e sensuais, porém mais reservadas
que Oyá. Elas evitam chocar a opinião pública à qual
dão grande importância. Sobre sua aparência graciosa e sedutora escondem
uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social.
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